Olá!!
Primeiramente seja bem-vindo ao site "Perrengue no Pico da
Bandeira"
Fiz este site na intenção de reunir dicas e sugestões para quem deseja
conhecer o Pico da Bandeira pela entrada do Espírito Santo em Pedra
Menina-ES, e também, é claro, contar pra você todos os perrengues
que eu passei por lá.
Isso você poderá conferir nas próximas linhas.Sábado - 7:00h
Eu, Brunella (minha noiva) e Dona Inês (minha sogra) saímos de casa e fomos para o bairro BNH
onde marcamos de encontrar e seguir viagem com mais 5 motos.
Meus irmãos Pepeto e Marco estavam no grupo de motoqueiros.
Eu escolhi o acesso ao Parna Caparaó pela entrada capixaba, e as motos
foram para Alto Caparaó, em Minas Gerais.
Sábado - 8:20h
Chegamos à cidade de Alegre-ES e paramos logo acima na estrada que
segue para Guaçuí-ES e tiramos algumas fotos em um ponto que avistava
boa parte da cidade.
Sábado - 9:00h
89 km de viagem e chegamos à cidade de Guaçuí-ES e fomos direto ao
Cristo Redentor fazer uma visita e tirar algumas fotos, além de
visualizar, de bem longe, a imponência do Pico da Bandeira, no
horizonte cinza.
Sábado - 9:30h
107 km de viagem e chegamos à divisa de estados ES/MG, na cidade
de Dores do Rio Preto-ES, onde eu me separei do grupo de motoqueiros,
pois como eu disse acima eles seguiram pelo acesso ao Parna Caparaó em
Minas Gerais.
Aproveitamos para tirar algumas fotos, e depois fui reabastecer o
carro em um posto local.
Minutos depois peguei a estrada para a cidade de Pedra Menina, 25 km
de estrada de terra parcialmente asfaltada.
Nessa estrada começou o nosso perrengue.
Em um trecho da estrada as máquinas estavam trabalhando, cortando a
terra, e um caminhão-pipa passava jogando água e fazendo uns 30cm de
barro em toda a largura da estrada.
Tentei passar, mas como meu carro é semi-rebaixado atolei no barro.
Ficamos ali desesperados, com o carro atolado, e já quase desistindo
de prosseguir a viagem.
Esse foi o 1º perrengue.
Pedi para a Brunella e Dona Inês descerem do carro, consegui dar uma
ré até um ponto bom, e acelerei tudo o que eu podia e atravessei
aquele monte de barro.
Brunella me xingou horrores.
Nessas alturas eu já nem olhava mais para o relógio.
Chegamos em Pedra Menina e tivemos que esperar um desfile de
carros-de-boi.
TVE e TV Gazeta estavam por lá fazendo reportagem.
Na saída de Pedra Menina resolvemos parar no único restaurante local
para almoçar.
Depois de almoçados subimos serra acima, 12 km de estrada de chão
bastante acidentada até a portaria do parque, mas paramos uns 500
metros antes num barzinho bem bacana, que pertence a um alemão que
também é guia e faz carreto no parque, para encher o cantil de bebida.
Não pode entrar com bebida alcoólica no parque, mas ninguém precisa
saber que eu levei né? :)
Sábado - 12:45h
Chegamos à entrada do Parque Nacional do Caparaó.
Daí em diante foi só pedreira até o acampamento.
3 km de estrada até o acampamento Macieira, e depois mais 5 km até o
acampamento Casa Queimada, onde nós acampamos.
Vocês não têm noção do quanto aquela subida é íngreme.
Esse foi nosso 2º perrengue, mas
na verdade quem sofreu mais foram a Brunella e Dona Inês, pois em
alguns pontos mais íngremes elas tinham que descer do carro e subir a
pé, pois o motorzinho 1.0 broxava ¬¬
Brunella já estava brigando comigo, e estava passando mal por causa
da altitude elevada. E olha que nós ainda nem estávamos acima de
2.000m de altitude.
Chegamos ao acampamento Macieira e fizemos uma pequena parada.
Ali por perto vocês podem visitar algumas cachoeiras, e algumas
nascentes.
É muito lindo o lugar.
Seguimos para a Casa Queimada. Mais 5 km de pedreira pra subir.
Em um dos pontos mais íngremes que parei para esperar as duas que
subiam a pé, resolvi descer a pé até elas e depois voltar. Quando
chegamos ao carro tinha uma enorme poça de gasolina debaixo, pois eu
consegui furar meu tanque de gasolina e estourar o filtro de
combustível, que vazava às bicas.
Esse foi nosso 3º perrengue.
Com muita dificuldade consegui fazer o carro funcionar e segui em
disparada para chegar o mais rápido possível ao acampamento, na
esperança de encontrar ajuda, pois, cá entre nós, com o tanque furado
e o filtro de combustível estourado eu estava "fodido e mal pago".
Perdi muita gasolina, mas consegui chegar ao acampamento por volta de
14:30h.
Um dos guardas do Ibama até que se prontificou em me ajudar, mas nada
ele podia fazer, pois lá em cima nem remédios para primeiros-socorros
você encontra, caso precisar. (um dos pontos negativos do parque)
Consegui consertar o vazamento de gasolina fazendo uma ligação direta
do tanque aos bicos injetores, e o vazamento do tanque não era lá
grande coisa, e nada eu podia fazer quanto a isso.
Armamos a barraca e dispusemos nossa bagagem e suprimentos.
Fui tomar um banho gelado em um dos banheiros.
A água do acampamento vem do Pico do Cristal, e é tão fria que chegar
a doer os ossos, mas mesmo assim não deixei de tomar meu banho.
Quase tive hipotermia, mas consegui sobreviver.
Brunella e Dona Inês também tomaram banho.
Ficamos deitados na barraca até por volta de 19:00h, e então resolvi
fazer um café fresquinho.
O frio era tanto que não deixava a água da caneca ferver, então eu
tive que colocar o fogareiro dentro da barraca.
O frio, nosso 4º perrengue.
Dormimos um pouco, depois que fizemos nossa janta (miojo, aquele do
copinho... esqueci o nome), até 1:00h da madruga.
Domingo - 2:15h
Saímos do acampamento em direção à trilha para o Pico da Bandeira às
02:15h da madrugada, e após 200m de caminhada a Brunella e Dona Inês
desistiram de continuar, pois o frio era intenso, e a Brunella estava
passando mal por causa da altitude elevada.
Prossegui sozinho na companhia do senhor Isaías, um cara de 56 anos
que já era veterano no parque.
Ele me incentivou e me encorajou bastante durante a subida, pois em
duas vezes eu parei na intenção de desistir de continuar. É tenso. A
escalada pelo lado do Espírito Santo é bem puxada mesmo.
Para manter minha boca sempre úmida eu chupava balas de coco
queimado e tomava pequenos goles de água, e quando comecei a me sentir
fraco eu comi meia barra de chocolate branco. Ajudou bastante.
Domingo - 5:20h
Após 3 horas e 5 minutos de caminhada, mais precisamente às 05:20h,
finalmente chegamos ao cume do imponente Pico da Bandeira, com seus
2.890m de altitude, e um frio de 7° negativos. Perrengue, perrengue,
perrengue, porém uma sensação M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!!!!!
Lá em cima encontrei meus dois irmãos Pepeto e Marco. Nos abraçamos
meio que emocionados, instante antes de um dos mais belos espetáculos
da natureza: o nascer do sol.
A cada instante as cores mudavam, e as nuvens e montanhas tomavam um
tom diferenciado fazendo valer todo sacrifício da subida e o frio
quase congelante.
Domingo - 7:30h
Meu 5º perrengue: a descida!!
Durante o passeio pelo parque conheci um cara legal chamado Michel
Acre, residente em Guaçuí-ES.
Eu segui o grupo dele na descida, pois o senhor Isaías desceu antes de
mim.
O meu joelho direito acabou de ir para o espaço, e como se já não
bastasse eu torci meu pé esquerdo, mas só comecei a sentir dor quando
já estávamos descendo do parque e eu precisava pisar na embreagem do
carro a todo instante.
Domingo - 9:30h
Terminei de descer a trilha por volta de 9:30h da manhã de
domingo, e tirei minhas blusas molhadas de suor, troquei por roupas
secas e deitei num banco de
madeira ao lado da nossa barraca.
Eu estava exausto, e sentindo dores por todo o corpo.
Eu só queria tomar água gelada e um cafezinho quente.
Após mais ou menos 1 hora começamos a desarmar a barraca e arrumar a
bagagem para voltar pra casa.
Falta de gasolina, nosso 6º perrengue!!
O tanque do carro que estava pouco abaixo do meio, já marcava reserva,
e eu não sabia exatamente se a reserva daria para chegar em um posto
de gasolina para reabastecer.
Vou pular a parte em que eu quase enlouqueci tentando conseguir gasosa
com o pessoal que estava ali. Afff...
Resolvi descer assim mesmo e contar com a sorte, apesar de que o
Michel propôs me emprestar o carro dele pra eu buscar gasolina, caso a
gente ficasse a pé. Mas nem foi necessário. Cheguei ao próximo posto
em Pedra Menina a tempo.
Dor, dor, dor, dor, dor e dor no meu pé esquerdo... meu
7º perrengue...
A dor no meu pé era tamanha que eu gemia tanto e fazia careta.
Seriam mais 170 km de viagem de retorno para casa, e com o pé doendo
demais.
O Michel vai me perdoar, mas eu xinguei muito a cidade de Guaçuí, por
causa dos 380 quebra-molas que eu tive que pisar na embreagem para
poder passar.
PUTAQUEPARIU, QUE DOR!!!!
Domingo - 14:00h
Conseguimos chegar com vida e saúde (graças a Deus) em Cachoeiro às
14:00h.
Tomei um banho quente e deitei na cama com um saco de gelo no
tornozelo.
Depois a Dona Inês passou um creme (acho que é Gelol) e enrolou uma
atadura.
Dormi e acordei 11 e poucos da noite, já sem a dor no pé :)
Segunda foi dia de arrumar a bagunça e lavar o carro né... to
exausto :D
E essa foi minha aventura no Parque Nacional do Caparaó!!!
Espero voltar ano que vem pelo lado mineiro.
Confira as
fotos clicando aqui.
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